Cobertura do evento “Jovens na Campanha Nacional Mulheres pela Paz”

No dia 31 de agosto, mulheres pela paz – guerreiras de muitos anos de luta e jovens em início de militância – tiveram a oportunidade de relatar e trocar experiências e debater o conceito ampliado de paz. Elas vieram de estados do norte a sul do país para participar do evento “Jovens na Campanha Nacional Mulheres pela Paz’’, realizado em São Paulo pela Associação Mulheres pela Paz, com patrocínio da Petrobrás e apoio da Fundação Avina e EED.

 

Abertura – A trajetória da Campanha Nacional Mulheres pela Paz (AMP)

Clara Charf, presidente da Associação Mulheres pela Paz, enfatizou a importância da paz construída no cotidiano. “Nas escolas, nos hospitais ou na zona rural, o trabalho de cada uma das mulheres aqui presentes é a prova de que se pode construir uma sociedade mais solidária, mais justa e mais igualitária.”

Grasiele Vivas, da Petrobrás, deu as boas-vindas e afirmou que a Associação Mulheres pela Paz fez com que ela começasse a refletir sobre “como os pequenos hábitos do cotidiano também são importantes para a construção da paz”.

 

Brasileiras indicadas ao Nobel da Paz ensinam e aprendem com as jovens

As brasileiras indicadas para o Nobel da Paz 2005 relataram suas ações com as três jovens escolhidas por elas para fazer o acompanhamento e participar da formação.  Apesar de atuarem em regiões e realidades distintas – algumas trabalham em hospitais e universidades de grandes centros urbanos, outras em zonas rurais e na floresta amazônica – todas mostraram grande entusiasmo com a experiência que estão tendo com as jovens.

Participaram do evento a juíza Sueli Pini (Amapá), a radialista Mara Régia Di Perna (Brasília), a feminista Maria Amélia Teles (São Paulo), a líder rural Vanete Almeida (Pernambuco), a feminista e educadora popular Moema Viezzer (Paraná), a militante pelos direitos indígenas Eliane Potiguara (RJ), a médica ginecologista Albertina Duarte (SP), a ativista pelos direitos humanos Margarida Genevois (SP), a líder das trabalhadoras domésticas Creuza Maria de Oliveira (BA), e a ativista pelos direitos das quebradeiras de coco Raimunda (TO), e as feministas e líderes do movimento negro Nilza Iraci (SP) e Jurema Batista (RJ). Elzita Santa Cruz, de Pernambuco, e mãe Stella de Oxossi, da Bahia, não puderam comparecer e mandaram representantes.

“Meu trabalho já agregava jovens, mas participar da Campanha me fez refletir sobre as jovens, me dar conta da grande força de militância que a juventude tem.” Amelinha Teles

“Estou capacitando as jovens trabalhadores rurais para darem oficinas em suas comunidades para outras jovens sobre os direitos das mulheres e para divulgarem a Lei Maria da Penha. Queremos encorajar essas jovens a denunciar a violência e não desistir da queixa. Muitas não têm coragem ou desistem no meio do caminho por falta de estímulo.” Creuza Maria Oliveira

“Nossas jovens estão cada vez mais falando com pessoas adultas e menos com as próprias jovens. E, nos eventos de juventude, vejo as jovens falando a partir de um modelo antigo. Precisamos pensar como a jovem deve falar para a juventude, sem repetir modelo, sem imitar o adulto, mas numa linguagem própria da juventude.” Nilza Iraci

 

A juventude construindo a paz no cotidiano e em intervenções estratégicas

As jovens ‘adotadas’ pela Campanha, que vieram ao evento acompanhadas das mulheres pela paz, relataram suas experiências. Todas foram unânimes: o conceito de paz tomou uma dimensão muito maior depois que elas entraram no projeto. Elas afirmaram também que estão aprendendo muito e querem aprender ainda mais.

“Eu já trabalhava com agricultores familiares e, a convite de dona Vanete Almeida, comecei a atuar também com a juventude rural. Está sendo uma experiência muito rica, porque a dinâmica do trabalho é intensa. Descobrimos uma séria de coisas que significam “guerra”: queimada, discriminação, desigualdade, ausência de geração de renda. Ainda estamos excluídos de muitos espaços. E temos de lutar por cidadania, por direito e igualdade.” Alda Balbino, Santa Cruz (PE)

“Sou estudante de direito e estou acompanhando a dra. Sueli Pine nas zonas rurais e ribeirinhas. O que eu aprendi de mais importante  até agora foi ouvir melhor as pessoas.” Andressa Pantoja (AM)

 

O futuro às mulheres pertence: projeto de continuidade das ações

Vera Vieira, diretora-executiva da Associação Mulheres pela Paz apresentou as próximas ações da Associação Mulheres pela Paz.
De acordo com Vera Vieira, a Associação continuará atuando com força contra a violência doméstica. A novidade é que, a partir de 2011, a Associação irá envolver os homens nessa luta.

 

Livro Mulheres fazendo Pazes

O evento foi encerrado com o lançamento do livro “Mulheres Fazendo Pazes”. No livro, as jornalistas Fernanda Pompeu e Patrícia Negrão retratam o conceito amplicado de paz e entrevistaram Aldaiza Sposati, Bia Cannabrava, Carmen Foro, Flávia Piovesan, Janaína de Almeida Teles, Lia Diskin, Maria Lúcia da Silva, Sueli Carneiro e Vera Vieira.

Veja, também, o relatório fotográfico do evento.

 

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