Evento – Jovens na Campanha Nacional Mulheres pela Paz

No dia 31 de agosto de 2010, mulheres pela paz – guerreiras de muitos anos de luta e jovens em início de militância – tiveram a oportunidade de relatar e trocar experiências e debater o conceito ampliado de paz. Elas vieram de estados do norte a sul do país para participar do evento, realizado em São Paulo pela Associação Mulheres pela Paz, com patrocínio da Petrobrás e apoio da Fundação Avina e EED (Alemanha).

 

por Patrícia Negrão

 

Abertura – “A trajetória da Campanha Nacional Mulheres pela Paz”
Clara Charf, presidente da Associação Mulheres pela Paz, enfatizou a importância da paz construída no cotidiano. “Nas escolas, nos hospitais ou na zona rural, o trabalho de cada uma das mulheres aqui presente é a prova de que se pode construir uma sociedade mais solidária, mais justa e mais igualitária.” Clara destacou o importante trabalho pedagógico de “ouvir as histórias das companheiras mais antigas na luta e daquelas que estão chegando agora”.
Ela também falou da nova etapa da Associação Mulheres pela Paz, que pretende continuar o trabalho de divulgação do conceito estendido de paz pelo país, mas agregar mais pessoas. “A novidade é que queremos unir os homens nessa luta”, afirmou a fundadora da Associação.

Grasiele Vivas, da Gerência de Atendimento e Articulação Regional São Paulo/Sul da Petrobrás, representou a empresa patrocinadora da Campanha.

Em seguida, a diretora-executiva da Associação Mulheres pela Paz, Vera Vieira, apresentou um resumo da Campanha Nacional Mulheres Pela Paz, que tem como um dos focos o trabalho com as jovens. “A Campanha começou a ser idealizada antes de 2008, mas o projeto de forma regular aconteceu de 2008 a 2010, com o patrocínio da Petrobrás. A parceria local, de cada Estado onde a Associação atuou, também foi muito importante. Nosso trabalho não seria possível sem essa parceria”, agradeceu Vera Vieira às mulheres da paz dos diferentes estados presentes no evento e que participaram ativamente da capacitação das jovens. Vera também agradeceu à Fundação Avina e a EED, apoiadores. Em seguida, passou à palavra às Mulheres da Paz.

“Brasileiras indicadas ao Nobel da Paz ensinam e aprendem com as jovens”
As brasileiras indicadas para o Nobel da Paz 2005 relataram suas ações com as três jovens “adotadas” por elas para acompanhamento e formação.  Apesar de atuarem em regiões e realidades distintas – algumas trabalham em hospitais e universidades de grandes centros urbanos, outras em zonas rurais e na floresta amazônica – todas mostraram grande entusiasmo com a experiência que estão tendo com as jovens.

Participaram do evento a juíza Sueli Pini (Amapá), a radialista Mara Régia Di Perna (Brasília), a feminista Maria Amélia Teles (São Paulo), a líder rural Vanete Almeida (Pernambuco), a feminista e educadora popular Moema Viezzer (Paraná), a militante pelos direitos indígenas Eliane Potiguara (Rio de Janeiro), a médica ginecologista Albertina Duarte (São Paulo), a ativista pelos direitos humanos Margarida Genevois (São Paulo), a líder das trabalhadoras domésticas Creuza Maria de Oliveira (Bahia), e a ativista pelos direitos das quebradeiras de coco Raimunda Gomes da Silva (Tocantins), e as feministas e líderes do movimento negro Nilza Iraci (São Paulo) e Jurema Batista (Rio de Janeiro). Elzita Santa Cruz, de Pernambuco, e mãe Stella de Oxossi, da Bahia, não puderam comparecer e mandaram representantes.

“Meu trabalho já agregava jovens, mas participar do projeto “Jovens na Campanha Nacional Mulheres pela Paz” me fez refletir ainda e me dar conta da grande força de militância que a juventude tem.
Por meio da educação jurídica popular e da educação de direitos, capacitamos mulheres e jovens para o enfrentamento das discriminações cruciais do país – de gênero, ético racial e de orientação sexual. Tanto mulheres adultas como jovens vivem simultaneamente ou separadamente essas discriminações. É um trabalho de muita militância e precisamos das jovens, pois são elas quem mais aguentam a militância.

Na Campanha, estou trabalhando com três jovens com foco no combate à violência contra as mulheres, pois acreditamos que a paz só é possível se erradicarmos à violência de gênero. Mais especificamente, o foco é na violência doméstica a partir da implementação da Lei Maria da Penha. A causa da violência doméstica é a discriminação histórica contra a mulher. A família se estrutura para valorizar o masculino. Pensamos o sentido da paz numa perspectiva feminista.

Participar dessa Campanha também me fez entender como é a terceira geração feminista. Eu sou a primeira geração de feministas, há uma segunda e, agora, a terceira, que são jovens de 20 e 20 poucos anos de idade, com uma forte compreensão feminista. A terceira geração de feministas é o nosso caminho.”

Maria Amélia Teles (Amelinha) ativista de Direitos Humanos, coordenadora do Programa de Promotoras Legais Populares e da ONG União de Mulheres de São Paulo  São Paulo/SP

“Estou capacitando as jovens trabalhadores rurais para darem oficinas em suas comunidades para outras jovens sobre os direitos das mulheres e para divulgarem a Lei Maria da Penha. Queremos encorajar essas jovens a denunciar a violência e não desistir da queixa. Muitas não têm coragem ou desistem no meio do caminho por falta de estímulo.

Nós, trabalhadoras domésticas, começamos no movimento depois dos 30 anos. Não tivemos a oportunidade de iniciar a miltância com 20 anos. Com dez anos de idade, eu já trabalhava. Sofri muita discriminação, mas não sabia que era de gênero, de raça. Só quando entrei no movimento é que fui descobrindo o que era ser feminista; o que era a luta das mulheres.
Percebo que, hoje em dia, ainda há muitas jovens que não reconhecem seus direitos. Temos muita dificuldade em formar novas lideranças, principalmente entre as jovens.

Acho muito importante também a orientação sexual das meninas. Muitas ficam grávidas na adolescência, com 13, 14 anos. Como empoderar essas meninas para que elas defendam seus corpos, tenham coragem de exigir de seus companheiro o uso do preservativo?

Outro grave problema da juventude é que, aos 13, 14 anos, elas já estão se envolvendo no tráfico, não só como usuárias, e sendo mortas. Antes, só nos preocupávamos com os meninos traficantes. Hoje, temos de nos preocupar também com as meninas. É uma missão enorme – combater o tráfico, a droga, a gravidez, a violência doméstica na adolescência.

Há também a violência dentro da escola. Os meninos acham que têm direito a tudo. Muito importante incluir os jovens na Campanha pela Paz. Os meninos querem ter relação sexual sem camisinha e não assumir a paternidade. Muitas meninas, na primeira relação, contraem HIV. Por isso é tão importante fazermos oficinas nas comunidades, falar de seus direitos e deveres, da Lei Maria da Penha. Encorajar para que as jovens denunciem a violência.

O menino já começa a ser violento com a irmã. Meu sobrinho se acha no direito de mudar o canal da tevê quando bem entende. Só ele tem direito ao espaço. E a mãe, as irmãs? A violência não é só física. A Violência é sutil.”
Creuza Maria Oliveira, líder das trabalhadoras domésticas da Bahia

“As jovens do projeto – e sou eu quem estou me sentindo “adotada” por elas – têm uma compreensão lúcida do que é uma sociedade patriarcal, sexista. O Geledés  faz um trabalho com jovens, porque sentimos cada vez mais a importância de jovens falando para jovens. Porém, percebo que nossas jovens estão cada vez mais falando com pessoas adultas e menos entre si, com outras jovens. E, nos eventos de juventude, vejo as jovens falando a partir de um modelo antigo. Precisamos pensar como essas jovens devem falar para a juventude, sem repetir modelo, sem imitar o adulto, mas numa linguagem própria da juventude. Quando elas são incorporadas ao trabalho, deve  ser um trabalho específico para jovens.

É fundamenta também pensar que, na medida em que os outros movimentos incorporam o racial, liberam a jovem negra para outros espaços de ativismo. Não se constrói paz quando se tem a questão racial provocando distanciamento. Todas nós, e todas as jovens, precisamos ser fortalecidas nas questões específicas, trabalhar mais a diversidade, acabar com as diferenças e construir uma paz de verdade.”
Nilza Iraci – Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras

“É muito bom ser tirada do cotidiano enlouquecido e trazida para um ambiente como este. Sou de origem do campo, nasci na roça, pé vermelho, no Paraná. Em uma família que não tinha tradição de formar os filhos. Meus pais me disseram, quando passei no vestibular, fazer faculdade pra quê? Não tenho nenhuma dúvida, cultura sem opção.

Com 22 anos, formada no norte do Paraná, fui embora para Rondônia ,com a mala embaixo do braço. Arrumei trabalho. Fiz concurso. Passei. Confesso a cada uma o quanto me senti inadequada no papel de juíza – uma formalidade que não cabia na camponesa. Mas como abrir mão da magistratura, tantos queriam? Eu estava prestes a desistir, quando veio uma proposta nacional de mudança, pressão externa para que o Judiciário se modernizasse, pois era completamente inacessível aos pobres. Os menos favorecidos não tinham acesso à Justiça.

Vi uma oportunidade para dar vazão à criatividade, romper os muros do Fórum e ir para a rua, ir ao encontro dos conflitos de interesses e dar a população o que eu achava mais justo. Criamos uma gama de programas para percorrer todos os redutos nos quais as pessoas não tinham acesso à Justiça, entre eles, o mais simbólico é o  Justiça Itinerante. Também começamos a ensinar o que é o poder judiciário nas escolas. E constatei que basta aumentar o nível de exigência dos cidadãos para conseguir avanços nas políticas públicas.

O desafio agora é criar sucessoras melhores do que nós. Por isso, a importância imensa dessa campanha liderada pela Associação Mulheres pela Paz. Formar jovens mulheres para disseminar tudo aquilo que planejamos fazer e aquilo que ainda não tivemos nem tempo de planejar.”
Sueli Pini, juíza, Amapá

“Fiquei na UTI doze dias. Sem ver o mundo. Recebi grande apoio. Do Brasil todo. Muitas pessoas me ajudaram pagando as despesas da doença e rezando por mim. Muita solidariedade. Há trinta anos, a situação era pior, éramos perseguidas, tiravam a vida de várias pessoas. Hoje estou feliz porque nós temos mais de 10 mil “Raimundas” pelo país. Em 1986, quando começamos a formar companheiras, era pior. Mas não digo que está maravilhoso, ainda há muita violência.

A juventude não avança porque não tem projeto voltado para as trabalhadores rurais jovens. As distâncias são grandes, todo mundo está estudando, não pode sair para as reuniões. Vejo comunidades tradicionais sem vínculo de luta. Mas há jovens batalhando.
Para participar da “Jovens na Campanha Nacional Mulheres pela Paz”, escolhi cinco jovens – era para escolher três – mas pensei: vai que sai uma. No campo, a situação é difícil. Duas saíram, não tinham condição de continuar. Eu não aguento mais fazer a militância como antes. Vir a São Paulo num dia e voltar no outro. Hoje, a cada lugar que vou, tenho de ficar mais tempo e levo uma pessoa comigo, cada vez uma pessoa diferente. Para elas aprenderem. Sem esse trabalho, não vamos ter um mundo de paz.”  Raimunda Gomes da Silva, líder camponesa São Miguel/TO

“Tudo começa dentro das nossas casas, nas nossas raízes. Minha vida é permeada pela questão ética, racial e de gênero. Não a nossa casa física, mas a nossa casa espiritual tem dado o tom das nossas lutas. Sou de origem indígena, de família pobre, marginalizada, violentada na sua essência.
Tudo começa dentro das famílias – da observação de como as nossas bisavós, avós, mães iniciaram um processo de mudança radical – quando manifestavam um olhar, um gesto, uma lágrima. Uma lágrima para uma menina que está a observar. O que é uma lágrima, o que será isso? Quando desce uma lágrima no rosto de uma indígena, é sua força espiritual, sua força de mulher.  Se ela consegue passar para a prole a força de seus conhecimentos espirituais, essa lágrima se transforma em um movimento de luta.
Estamos trazendo as meninas para nossa luta. Mais jovens agora do que antes, porque antes sofríamos ameaças. Hoje, com 60 anos de idade, me sinto maravilhosa, bonita, formosa.” Eliana Potiguara,  ativista pelos direitos das mulheres indígenas, RJ

“Sou filha de empregada doméstica. Quando eu era criança, era comum se a mulher levasse um filho no trabalho, ganhar menos. Minha mãe tinha sabedoria, não o conhecimento escrito, mas sabedoria. Ela contestava: “Eu trago a minha filha, mas quem trabalha sou eu”. Minha mãe não queria o futuro dela para mim. Há 40 anos, nos empregos com a minha mãe, eu só estudava. Eu queria ser professora, e minha mãe investiu no meu sonho. Sofremos muita humilhação nas casas de família. “Negrinha, tição.” Tinham Intenção de nos machucar.

Aos 20 anos, descobri que eu vivia no país da “democracia racial”, no morro, no Rio de Janeiro. Descobri o racismo. Antes, eu usava peruca. Via as mulheres apanharem. Nos finais de semana, os homens, bêbados, batiam até matar e matavam mesmo. Lembro de uma mulher assassinada dentro da minha casa. Ela estava cuidando de mim e o cara foi lá e matou. Colocou minha camisola dentro da boca dela. Eu via a violência doméstica e achava que era normal. Quando passei a ser militante, foi uma libertação dentro e fora.
É importante passar o bastão para que essa luta não morra. Houve muitos avanços. A possibilidade de eleger uma mulher presidente do Brasil é uma vitória. Eu, hoje, estou na melhor fase da minha vida. Estou de bem com a vida. Hoje, nós mulheres, temos identidade, não somos uma coisa. Não por acaso, muitas mulheres morreram, perderam a vida. Estar viva, sobreviver aos casamentos malucos. Estou viva e vão ter que me aturar. Não vamos dar mole. E preparar a juventude para o combate.”
Jurema Batista, feminista, líder do movimento negro e política (RJ)

“Minha trajetória é de educadora popular. Existem códigos novos e as jovens estão aproveitando aquilo que trouxemos. Nos anos 80, quando voltei do exílio, tudo era etiquetado, eu não era considerada feminista. Diziam para tomar cuidado com a “Moema. Ela é comunista”. Era difícil tanta etiqueta que colocavam na gente. Não tinha instrumento teóricos e práticos. Hoje, as condições das mulheres são outras. Licença maternidade, creches.

Desde 1997, vivo em um município bem pequeno, de 100 mil habitantes, em uma das regiões mais devastada pela soja do Paraná. Trabalho com a questão ambiental por vários caminhos.  É muito difícil encontrar movimento de mulheres nos municípios menores. Então, tive um insight. Levar a Agenda 21 de mulheres, um kit de educação, distribuído em todo o Brasil, com dez eixos.  São círculos de aprendizagem em função da sustentabilidade.

Tenho recebido muita contribuição das três jovens que escolhi para participar desta Campanha. Estamos refletindo como, a partir da articulação dos movimentos que transcendem municípios e até o país, conseguimos pensar a paz a partir da água.”
Moema Viezzer, feminista, educadora popular e ativista ambientalista (PR)

“Há mais de 40 anos trabalho com trabalhadoras rurais. Articulei a categoria em 23 países. A partir deste ano, a coordenação foi para uma companheira do Peru.

Onde eu vivo, em Serra Talhada, sertão de Pernambuco, estou mais perto das trabalhadoras rurais. Atuo, agora, no Movimento das Mulheres Rurais, em um grupo de mulheres de 12 municípios. Nós não temos dificuldade em trabalhar com as jovens.
Nossa dificuldade é trabalhar com os homens. Principalmente quando juntamos  homens e mulheres. Nos encontros para discutir a Lei Maria da Penha, tentamos pelo menos 30 homens, conseguimos metade disso. Estudamos temas como violência, discriminação e outros. Importante os jovens e as jovens falar com os jovens.

Também estamos envolvendo as crianças na nossa luta. Na recuperação de um rio lá da nossa região, as crianças tiveram grande participação.

O trabalho com as jovens pela paz foi muito importante para disseminar o conceito de paz. Mas não é fácil chegar nas pontas, nos lugares mais distantes, onde ainda não há computador, muitas vezes nem celular.”
Vanete Almeida, líder das trabalhadoras rurais, Serra Talhada (PE)

“Trabalhei com jovens de Barcarena, no Para, cidade marcada pela exploração do alumínio. Os  lençóis freáticos estão todos contaminados. Fizemos lá uma oficina pela cultura de paz.”
Maria Régia Di Perna, radialista

“A mulher tem direito ao orgasmo. Não tem mulher fria, tem mulher mal esquentada. Não é o pênis, é o todo que dá prazer. Trabalhamos pelos direitos sexuais da mulher. A mulher que é protegida na adolescência vai entrar na vida adulta saudável.
Saúde pública é minha grande luta. Sou a primeira mulher portuguesa doutora em medicina no Brasil. Meu pai era pedreiro e minha mãe, analfabeta. Um caminho difícil, mas que me deu força para lutar ainda mais.

Sou médica sanitarista e passei a atender mulheres em situação de emergência. Toda a minha formação foi para dar voz à mulher. Desde 1986, foram mais de 10 mil profissionais treinados para a questão de gênero.  A adolescente não tem poder de negociação. Capacitar os profissionais para que não discriminem a menina. A saúde discrimina a mulher.

As jovens adotadas pro mim escolheram trabalhar com alimentos nutritivos e saborosos, pois os adolescentes gastam dinheiro com comida fast food. Estão fazendo hortas nos Centros de Saúde. Ensinando os profissionais qual a melhor época para comprar os alimentos. Também fizeram pesquisa.” Albertina Duarte Takiuti, médica ginecologista, São Paulo (SP)

“Hoje, aqui presente, estão não só as militantes mais antigas, como dona Raimunda e eu, como tantas mulheres batalhadoras de várias idades. Para mim foi uma grande alegria vocês, mulheres da paz, terem concordado em fazer o trabalho com a juventude. Cada mulher aqui presente sabe o quanto foi difícil militar quando jovens. Eu militava escondido de meu pai. Todas começamos jovens. O fato de organizarmos o trabalho com as jovens, cada uma escolher três jovens, é só ocomeço. Essas jovens vão reproduzir o trabalho para outras jovens.”
Clara Charf, presidente da Associação Mulheres pela Paz

A juventude construindo a paz no cotidiano e em intervenções estratégicas
As jovens ‘adotadas’ pela Campanha, que vieram ao evento acompanhadas das mulheres pela paz, relataram suas experiências. Todas foram unânimes: o conceito de paz tomou uma dimensão muito maior depois que elas entraram no projeto. Elas afirmaram também que estão aprendendo muito e querem aprender ainda mais.

“Eu já trabalhava com agricultores familiares e, a convite de dona Vanete Almeida, comecei a atuar também com a juventude rural. Está sendo uma experiência muito rica, porque a dinâmica do trabalho é intensa. Descobrimos uma séria de coisas que significam “guerra”: queimada, discriminação, desigualdade, ausência de geração de renda. Ainda estamos excluídos de muitos espaços. Quando comecei a conversar com os jovens, percebi um diálogo bom, uma dinâmica interessante.  Ainda tem aqueles que se inibem para falar, mas, aos poucos, vão ficando à vontade. Foi forte para nós conhecer a diversidade que é a paz. Muitas mulheres já derramaram sangue para a paz acontecer e ainda há muito a se fazer.”
Alda Balbino, Santa Cruz (PE)

“Sou estudante de direito e estou acompanhando a dra. Sueli Pine nas zonas rurais e ribeirinhas. Acompanho audiências e registros. Passar uma semana dentro de um barco, atendendo à população que vive da pesca, percebendo a dificuldade que eles têm para conseguir o que possuem, foi uma experiência muito rica de vida. O que eu aprendi de mais importante, até agora, foi ouvir melhor as pessoas. Captar tudo o que elas têm para nos dizer. ” Andressa Pantoja (AP)

“É uma grande oportunidade para nós, jovens, nos reunir com dona Elzita Santa Cruz. Com 98 anos, ela não pode comparecer ao evento. Eu trabalho com um grupo de jovens de 14 anos, exploradas sexualmente, no combate e mostrando como se defender do abuso sexual. Nossa maior dificuldade é conseguir parcerias e trocar conhecimento. Estar nesta Campanha me permitiu abrir discussões sobre saúde, educação.Cada uma de nós plantando uma sementinha, o projeto vai crescer muito.”
Verônica da Lima – Costa Recife (PE)

“A Campanha pela Paz começa em nossas casas, comigo e com você. Trabalho em Toledo, interior do Paraná, com Moema Viezzer, na formação inicial de jovens bolsistas universitárias sobre paz e enfrentamento da violência doméstica contra as mulheres e pelo fortalecimento da Lei Maria da Penha. Na região onde atuamos, há muita violência doméstica e a maioria das mulheres ainda não tem coragem de denunciar, não sabe como proceder e esconde muita coisa. Fizemos uma oficina com as mulheres. Também estamos tentando atuar com a mídia local, que não dá o valor que deveria para o assunto. Precisamos ser ouvidas pela mídia, porque é um forte elemento. Também fazemos panfletagem sobre a Lei Maria da Penha e sobre paz no trânsito nas portas das escolas.”
Ana Paula Fritzen Eifler – Toledo (PN)

“Sou naturologa e trabalho com dra. Albertina e nosso tema é saúde e adolescência com jovens. Fazemos atendimento e pesquisa com profissionais da saúde – o que é paz e a falta de paz;  o que eles poderiam fazer para trazer paz para o cotidiano.”
Paola Redullo, São Paulo (SP)

“Sou estudante de serviço social e uma das jovens da Campanha escolhida pela dra. Albertina. Meu foco são pessoas do sindicalismo e já conseguimos juntar doze entidades para divulgar o conceito ampliado de paz.”
Creice Freitas, São Paulo (SP)

“Cresci com minha mãe apanhando do meu pai. Nessa Campanha, estou sendo orientada por Jurema Batista. Educo crianças de uma ano e meio a 4 anos. A criança violenta, que mente muito, bate nas outras, vai se tornar um adulto problemático, terá dificuldade para conviver na sociedade. Na creche, há crianças que se queixam que o “papai bateu na mamãe”. Não só presenciam os espancamentos, mas muitas vêem a arma que o pai leva para dentro da casa. Há muitas mulheres que não denunciam por medo de repressão.”
Marluce Oliveira – Rio de Janeiro (RJ)

“Sou coordenadora pedagógica e contadora de histórias em escolas públicas. Por meio das histórias infantis, das fábulas, passo noções de respeito à mulher, aos mais velhos, contra a violência doméstica etc. Participo do projeto Jovens na Campanha Nacional Mulheres pela Paz contando o livro escrito pela mãe Stella – uma das guerreiras da paz – que narra a história de um menino que planta uma árvore e essa árvore sai pelo mundo tentando salvar a natureza. As crianças gostam muito.”
Eva Borges – Salvador (BA)

“Muita coisa tira a nossa paz e os problemas sociais são um exemplo, como falta de vagas na universidade pública, moradia, saúde. Sou administradora de empresa e, nesse projeto, acompanho Eliana Potiguara no trabalho com as índias urbanas por meio de reuniões, seminários e e-mails.”
Tajira  Kilima –  Rio de Janeiro (RJ)

“Estudo direito na Faculdade de São Paulo. Estou sendo monitorada por Maria Amélia Teles. Atuo dentro da faculdade para fazer valer o direito das mulheres. Ainda há professores que acham a Lei Maria da Penha uma bobagem.”
Gabriela Justino da Silva, São Paulo (SP)

“Nosso trabalho é com as agricultoras rurais. Meu pai é agricultor e minha mãe, quebradeira de coco, como dona Raimunda. Na comunidade onde eu atuo, quem não trabalha com coco, trabalha na horta.”
Eliane da Silva Sá – São Miguel/ TO

“Quem tem medo não evolui. Eu tenho medo de avião, mas estou aqui. Sou sobrinha de uma grande pessoa, de Creuza. Nós já realizamos várias oficinas sobre violência doméstica em Salvador.”
Ana Cristina Oliveira Machado, Salvador (BA)

“O futuro às mulheres pertence: projeto de continuidade das ações”
Vera Vieira, diretora-executiva da Associação Mulheres pela Paz apresentou as próximas ações da Associação Mulheres pela Paz.
De acordo com Vera Vieira, a Associação continuará atuando com força contra a violência doméstica. A novidade é que, a partir de 2011, a Associação irá envolver os homens nessa luta.
O Projeto 2011- 2012 “Redefinindo Paz – Mulheres na Liderança” pretende trabalhar a violência doméstica com mulheres e homens de diferentes regiões do país com base na metodologia de educação popular feminista.
Isso porque a Associação Mulheres pela Paz acredita na necessidade de unir esforços de mulheres e homens para alcançar a paz, a segurança, a justiça social e a democracia. Mais do que isso: gênero é uma construção cultural que necessita ser modificada por ambos, homens e mulheres.

Livro Mulheres fazendo Pazes
O evento foi encerrado com o lançamento do livro “Mulheres Fazendo Pazes”. No livro, as jornalistas Fernanda Pompeu e Patrícia Negrão retratam o conceito amplicado de paz e entrevistaram Aldaiza Sposati, Bia Cannabrava, Carmen Foro, Flávia Piovesan, Janaína de Almeida Teles, Lia Diskin, Maria Lúcia da Silva, Sueli Carneiro e Vera Vieira.

Veja mais detalhes. Clique aqui


Mulheres & Homens

1000 Mulheres pela Paz

©2017 - Associação Mulheres pela Paz - Praça da República, 376 - 7º andar - Cj. 71 cep: 01045-000 - São Paulo - SP Fone (55 11) 3224-9454