No importa comprar viagra generico espana lo que suceda comprar cialis generico espana en la historia viagra contrareembolso de la industria cialis contrareembolso lo principal es comprar priligy que ahora comprar kamagra todo es super
Dia Internacional da Mulher: boa notícia de longa duração

fonte: Feminists for Choice

Vamos combinar
por Fernanda Pompeu

 

 

 

“Para Heleith Saffioti (1934-2010) que gostava de dizer que os homens precisam ser educados pelas mulheres”.

É impressionante o conjunto de conquistas das mulheres por todo o mundo. No Brasil de 2011, temos uma boa-nova retumbante: pela primeira vez, trinta e tantos presidentes depois, uma mulher foi eleita a máxima mandatária da República. Essa presidenta nomeou nove ministras de Estado, num total de 37 ministérios. Ainda é longe de ser a metade dos ministros, mas é muito mais do que em todos os governos anteriores. Além disso, Dilma Rousseff vem reiterando que as reivindicações e necessidades das mulheres não serão esquecidas em seu governo. Oxalá!

Portanto, o momento político brasileiro é excelente para as mulheres avançarem ainda mais nas suas bandeiras. Maria Amélia de Almeida Teles, a Amelinha, uma das guerreiras da paz e fundadora da lendária União de Mulheres de São Paulo, acredita que as mulheres têm muita luta pela frente: “A principal delas é efetivar os direitos no dia a dia. Só quando os direitos se consolidam no cotidiano das pessoas, é que se tornam de fato direitos”. Entre esses direitos está viver livre da violência doméstica. Por exemplo, a Lei Maria da Penha é um passo enorme. Mas apenas será uma vitória quando se consolidar em todos os grotões do Brasil, quando for uma realidade nas palafitas, barracos, apartamentos, casas e mansões.

Sintonizada com a reflexão atual de que mulheres e homens devem lutar, lado a lado, contra a violência de gênero, Amelinha diz: “A erradicação da violência doméstica é uma bandeira levantada pelas mulheres a partir de suas experiências, mas, para erradicá-la das relações íntimas, o esforço tem que ser coletivo e abranger mulheres e homens”. A violência doméstica contra a mulher – baseada na dominação de gênero – tem manifestações múltiplas e complexas. Daí, seu enfrentamento também será complexo e múltiplo.

“Acho que a gente tem que prestar atenção na realidade. Ficar atenta para o que se passa nas entranhas da cultura de gênero”. Quem faz esse alerta é Sonia Nascimento, advogada e vice-presidenta do Geledés – Instituto da Mulher Negra. Sonia conta que já atendeu muitos homens, jovens, adultos e idosos, que naturalizam a violência. Vários homens alegam que o pai batia na mãe, batia neles e agora eles repetem a má experiência batendo na namorada, filha ou companheira. “A maioria deles não se reconhece como violentos. Eles enxergam a agressão como uma forma de “tradição”, “cuidado” e “educação”, Sonia finaliza.

Mexer com a cabeça dos homens é fazer tremer o edifício patriarcal. Uma construção de concreto armado com muitos andares e fundações profundas. Mexer com a cabeça dos homens é desconstruir a ideia de que eles são superiores às mulheres. É desnudar o velho mito de que ser homem é mandar na sexualidade e no destino de suas companheiras, filhas, irmãs. As mulheres, em todo o mundo, de um jeito ou de outro, já dizem não para a opressão masculina. Mas o trabalho segue árduo e exige uma força-tarefa que ponha um ponto final na violência doméstica contra elas.

Força-tarefa formada por organizações governamentais, não governamentais, empresas privadas, escolas, sindicatos, mídias etc. Mas, principalmente, formada por pessoas desejosas de viver a vida livre de violência. A violência doméstica atinge em cheio a mulher e resvala para os filhos e demais parentes. A praga da violência também faz sofrer o autor da violência. Em geral, excetuando os casos patológicos, ele não se tornou violento sem mais nem menos e nem do dia para noite.

Desde a infância, os garotos são alimentados com a ideia de superioridade. A ideia de que é o homem quem dirige a família, as aeronaves, as empresas, os partidos e a sociedade. No mais, o capitalismo contemporâneo inviabilizou o papel do homem como provedor único da família e não para de crescer o número de mulheres chefes de família. Esse fato econômico, somado à rigidez da masculinidade tradicional, acirra a frustração masculina, uma vez que ele manda apenas simbolicamente.

Maria José Lopes Souza, a Zeza, socióloga e educadora da Rede Mulher de Educação, pontua que as mulheres “precisam de espaços próprios para a promoção de sua cidadania. Também necessitam de serviços específicos para ajudá-las a romper o ciclo de violência e seguir adiante. Mas para construir novas relações de gênero, os homens também precisam de políticas e serviços que os ajudem a repensar suas atitudes”. Eles precisam refletir sobre seu papel de gênero, descosturar a camisa de força do machismo, da misoginia e da dominação.

Na opinião de Zeza: “A mulher e o homem são os dois lados da moeda. Portanto, ambos precisam trabalhar para romper com os vícios da relação tradicional de gênero, baseada em dominador e dominada”. O fato é que uma relação violenta afeta a ambos. Mesmo que um seja o agressor e a outra, a vítima. O que é insuportável é chegar na segunda década do século XXI, tendo a violência doméstica como realidade na vida de milhões de mulheres e meninas em todo o mundo.

A tarefa de enxergar o abuso de poder em uma relação e romper com ele é um desafio para toda a sociedade. Pois sabemos que a banalização da violência doméstica está presente em todas as instâncias socais, inclusive na grande mídia – nos seus noticiários, programas humorísticos, dramaturgia. O desafio de dar um basta à violência doméstica tem um fórum privilegiado na educação popular. Aquela construída coletivamente por educandos e educadores. Aquela que fala para escolarizados e não escolarizados e que pode chegar para toda gente desse país continental. E a educação popular feminista – que põe as questões de gênero na pauta diária – tem participação central nessa história.

“Não existe educação só para as mulheres ou educação só para os homens. Educação é para todos e todas. A essência está em educar para não discriminar”. Quem diz isso é a educadora e cantora Beatriz Cannabrava, a Bia, uma das fundadoras da Rede Mulher de Educação. No seu entender, a violência contra a mulher é consequência da ação de discriminar. Os meninos são criados para acreditar na sua superioridade sobre as meninas. Eles crescem e, segundo Bia, seguem pensando: “eu sou melhor do que você, eu sou superior, então posso bater, posso controlar, posso fazer o que eu quiser”.

Só que não pode. Homens e mulheres são diferentes, mas não devem ser desiguais em oportunidades e direitos. As mulheres vêm lutando para superar essa desigualdade. Agora está passando da hora de ter a solidariedade e o companheirismo dos homens. É fundamental que os homens declarem seu repúdio à violência doméstica contra mulheres e meninas. Seja criando campanhas, como a do Laço Branco e outras, seja influenciando outros homens.

 

 

Vamos combinar que felicidade e violência não namoram nem casam.

O projeto REDEFININDO PAZ – MULHERES NA LIDERANÇA – Violência doméstica: construção de metodologia de educação popular feminista específica para trabalhar com mulheres e homens, sob realização da Associação Mulheres pela Paz, tem o apoio da Associação Mulheres pela Paz ao Redor do Mundo (Suíça), EED (Alemanha) e Fundação Avina. É patrocinado pela Petrobrás. Conta com as parcerias brasileiras: Rede Mulher de Educação, Instituto Promundo, União de Mulheres de São Paulo e Geledés Instituto da Mulher Negra.


Mulheres & Homens

1000 Mulheres pela Paz

©2019 – Associação Mulheres pela Paz – Rua Coração da Europa, nº 1395 – Bela Vista – 01314-020 – São Paulo/SP – Fone (11) 99647-9497